quinta-feira, 17 de março de 2022

#LogoterapiaeMúsica3: Deja Vu (Pitty)

"Nenhuma doutrina me convence
Nenhuma resposta me satisfaz
Nem mesmo o tédio me surpreende mais"

Lançada no álbum "Anacrônico" (Pitty, 2005), a música Déja Vu traz diversas reflexões pertinentes, especialmente quando o assunto são os valores vivenciais. Para compreender melhor, vamos analisar a letra mais de perto:


"Nem uma verdade me machuca
Nem um motivo me corrói
Até se eu ficar só na vontade já não dói

Nem uma doutrina me convence 
Nem uma resposta me satisfaz
Nem mesmo o tédio me surpreende mais"

Esses trechos nos trazem alguns indícios sobre a pessoa que está dialogando conosco através da música: é alguém que está perdendo a capacidade de sentir, de acreditar, de se sentir atraída por algo - e que é ressaltado através desses outros versos:
"Nenhum sofrimento me comove
Nenhum programa me distrai
Eu ouvi promessas e isso não me atrai"

É alguém que, em outras palavras, não consegue mais encontrar sentido nas vivências cotidianas - que podem fazer sentido para outras pessoas: é só pensarmos nas pessoas que esperam ansiosas o início de uma nova série de TV, ou que seguem as ideias de uma determinada doutrina e se sentem motivades por isso. Mas será que nada mais faz sentido para essa pessoa? Há sim:
"Mas eu sinto que eu tô viva
A cada banho de chuva
Que chega molhando o meu corpo"

Quando ela fala sobre a chuva, ela está falando de uma vivência - e é fundamental ressaltarmos que Viktor Frankl (1985) já falava sobre vivências e da sua importância nas subjetividades individuais, uma vez que através das vivências podemos também realizar sentidos - e se você pensou nos valores vivenciais, acertou! Já falamos sobre as categorias de valores aqui: https://alogoterapiaeobvia.blogspot.com/2019/06/classes-de-valores.html.


Na música nos é dito que a chuva traz a compreensão de que ainda há vida naquele corpo - mas também traz esclarecimentos sobre aquilo que já não está mais lá, daquilo que foi perdido e daquilo que foi deixado para trás. Como foi deixado? Por que foi deixado? Não podemos desconsiderar que, em um mundo de excessos como o que estamos inseridos, em muitas situações deixar de lado é também uma tentativa de resistência, mesmo que não-consciente (inclusive, notem que nesse momento o vídeo volta a ter cores. Achei fantástica essa sacada! Parabéns equipe de edição *-*). 
A vivência do banho de chuva trouxe a compreensão de que a vida ainda está ali, e que merece ser vivida ainda mais uma vez, para que o banho de chuva seja sentido ainda mais uma vez. 
E você? Qual a vivência que faz sentido para você?

Referências:
Música: https://www.youtube.com/watch?v=His5BZcgxj8

Imagens: 
- https://veinaboua.wordpress.com/2012/01/11/deja-vu-pitty/
- https://imvdb.com/video/pitty/deja-vu

Livros:
- Frankl, V.E. (1978). Fundamentos antropológicos da psicoterapia. Rio de Janeiro: Zahar Editores.
Frankl, V. E. (1985). Em busca de sentido. Petrópolis, RJ: Vozes.
- Frankl, V.E. (2011). A vontade de sentido: fundamentos e aplicações da Logoterapia. São Paulo: Paulus.

quinta-feira, 23 de setembro de 2021

Tempo de pausa e COVID - ou: sobre se manter produtivo e atuante e militante em tempos caóticos

Olá queridos e queridas :)

Como vocês devem ter percebido, houve uma pausa nas postagens daqui da página.

Essa pausa não foi programada, mas foi essencial - para que eu pudesse me reorganizar. Novas demandas, exigindo novos posicionamentos e novas formas de agir. Alguns valores sendo deixados de lado porque outros valores ganharam destaque. 

E em meio a toda essa situação, aqui estou eu. De volta :) E já volto para trazer um ponto para reflexão: por que precisamos nos manter produtivos - mesmo em uma situação completamente atípica, como é o caso de uma pandemia? 

Esse processo que vivenciamos durante a pandemia, infelizmente, não é novo ao ser humano. Vivemos em tempos de intensa desumanização do ser humano - está em dúvida? basta olhar com atenção as propagandas de produtos vendidos: a grande maioria se volta para que o ser humano não perca a sua produtividade - e em alguns casos até a aprimore: compre isto para que você não precise parar/ compre aquilo, para que você possa ser "mais"/ "compre tal coisa porque você não pode parar por uma "dorzinha de cabeça".... Mas algo se perde aí: a unicidade do ser humano. 

Por que a unicidade se perde? Por que ninguém sente a mesma coisa do mesmo jeito. Cada pessoa tem a sua forma de sentir, a sua forma de ser e estar no mundo. Cada pessoa tem o seu perfil de cansaço - seu nível mínimo e máximo; assim como cada pessoa tem a sua forma única e singular de relaxar e se reorganizar diante de uma situação estressante e cansativa.

Quando eu falo em unicidade, eu penso em singularidades - que, em uma sociedade que preza pela padronização e pela hiper produtividade, acaba se perdendo.


E você? Já parou para pensar sobre a sua singularidade? Em qual aspecto você a tem exercitado?

sexta-feira, 27 de março de 2020

#ReflexõesSobreoCovid19 : A quarentena e as classes de valores

Desde que o Covid-19 chegou ao Brasil - e com ele, a necessidade de isolamento social/ quarentena, algo que tem sido muito presente são os comentários a respeito desse momento. Foi inevitável lembrar de algumas questões que Viktor Frankl (1985; 2011; FIZZOTTI, 1996) trazia, em especial no que diz respeito às classes de valores (para quem não lembra, está aqui: https://alogoterapiaeobvia.blogspot.com/2019/06/classes-de-valores.html). 

O leitor há de convir comigo que estamos em uma sociedade marcadamente capitalista, na qual você precisa, necessariamente, estar trabalhando/produzindo para que você possa estar fazendo parte da sociedade (um exemplo são os "aposentados", cujo termo significa "estar recluso ao aposento/ quarto, e que muitas vezes adoecem depois da "aposentadoria"). Tudo gira em torno do trabalho: amizade, dinheiro, auto estima, metas, objetivos... E o que acontece quando tudo isso para de acontecer? Bem, é exatamente isso que está acontecendo atualmente, com o isolamento social. 

Trabalhar é adoecedor? É ruim para a humanidade? Não, de forma nenhuma. Inclusive Frankl (2016) ressalta a importância do trabalho, enquanto um valor criativo, como um elemento essencial na existência dos seres humanos. É a capacidade de criar algo, de dar algo para o mundo. Isso é um grande agregador de sentido à vida dos sujeitos... Mas não é só isso, porque temos também os valores vivenciais e atitudinais.

Contudo, a nossa cultura coloca o valor criativo em um patamar mais elevado, em detrimento às outras categorias. Você é aquilo que você produz - e isso sim é um fator de adoecimento aos sujeitos, porque em prol do lucro (do prazer e do poder), o sentido se esvai.


Quantas vezes em seu cotidiano você fez algo por prazer - nada necessariamente atrelado a ganhar dinheiro? Quantas vezes você deu uma pausa no seu cotidiano para aprender algo que você gosta - simplesmente por gostar, não necessariamente por ter lucro implicado? 

Talvez esse momento de quarentena seja uma oportunidade para refletir e re-aprender a vivenciar a experiência de estar-vivo ;)



Referências:
- Fizzotti, E. (1996). Conquista da liberdade: Proposta da Logoterapia de Viktor Frankl. São Paulo: Paulinas.
- Frankl, V. E. (1985). Em busca de sentido. Petrópolis, RJ: Vozes.
- Frankl, V.E. (2011). A vontade de sentido: fundamentos e aplicações da Logoterapia. São Paulo: Paulus.
- Frankl, V.E. (2016). Psicoterapia e Sentido da Vida. São Paulo: Quadrante.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

#LogoterapiaeFilmes5 : Drácula de Bram Stocker e o sentido do amor

"Eu atravessei oceanos de tempo
para te encontrar"
(Drácula)

O filme Drácula de Bram Stoker (1992 / 128 min/ Columbia Pictures), foi dirigido por Francis Ford Coppola e teve a participação de Gary Oldman (Drácula - e o melhor Drácula da história do cinema, diga-se de passagem), Winona Ryder (Mina Murray), Anthony Hopkins (Van Helsing), Keanu Reeves (Jonathan Harker), Cary Elwes  (Arthur Holmwood), Richard E. Grant (Dr. Jack Seward). 


O filme conta a história do líder romeno Vlad Dracul, que, ao defender a igreja cristã na Romênia contra o ataque dos turcos, tem sua noiva Elisabeth enganada: esta crê que seu amado morreu e então atira-se no rio.Vlad, ao retornar da guerra e constatar a morte de sua amada, e a condenação desta ao inferno (devido ao suicídio), renuncia e renega a Deus e à igreja  - sendo assim condenado à sede eterna, ou seja, ao vampirismo. Quatro séculos se passam, e ele redescobre a reencarnação de Elizabetha, em Londres, agora conhecida como Wilhelmina Murray (Mina). Jonathan Harker, noivo de Mina, parte a trabalho para a mansão do Conde Drácula, onde irá vender dez terrenos na área de Londres para este estranho Conde. Lá é feito prisioneiro, enquanto o conde se encaminha à Inglaterra para reencontrar sua amada. 



Eu devo confessar a vocês: esse é um dos meus filmes preferidos. É uma adaptação do livro Drácula, de Bram Stoker (1897) - que também é um dos meus livros preferidos - e, quando eu soube que esse filme existia, saí correndo para assistir. E não me decepcionei! Ele aborda o amor e a (des)humanidade do ser humano com grande maestria: afinal de contas, até que ponto o ser humano é, de fato, humano? Quem é, afinal, o monstro da história? - são questões que ficam ecoando depois de assistir a essa obra prima.Mas nesse texto, iremos focar em um aspecto específico: o amor.

"O homem mais feliz da terra é aquele que encontra o verdadeiro amor"
(Drácula)

Primeiro e antes de tudo: Drácula ama a Mina? Para começo de conversa, é importante avaliarmos o histórico do Drácula. Ele estava em um relacionamento com a sua princesa Elizabeth, que cometeu suicídio ao receber uma carta que dizia que o seu amado havia falecido. Nesse momento, ele renuncia a Deus e à igreja e se torna vampiro.


Sem a sua amada - e sem um sentido para a sua vida, Drácula se volta para a vontade de prazer e para a vontade de poder: ele tem vários relacionamentos (um exemplo são as suas três noivas e depois, a Lucy) e deseja conhecer outros países e conquistar novos territórios - e em uma dessas, conhece Harker, que o ajuda a comprar uma propriedade em Londres.

"Noivas" do Drácula

Drácula e Lucy

Após reencontrar Mina, no entanto, os seus esforços se voltam para re-conquistá-la.
É importante ressaltar que o Drácula sabia sobre a reencarnação de Mina desde o momento em que ele viu a foto dela na carteira do Harker. Contudo, em vez de tentar apressar as coisas, ele permitiu que ela se apaixonasse por ele - e escolhesse ficar com ele ou não. Ele, então, respeitou a liberdade de escolha de Mina, coisa que os demais cavalheiros londrinos não fizeram.

"Eu a amo muito para condena-la" (Drácula)
"Então afaste-me de toda essa morte" (Mina)

E por falar em relacionamentos, abrirei um breve parêntese para um pequeno detalhe... Jonathan. Ele amava Mina?
Após ser aprisionado no castelo do Drácula, Jonathan se encontra com as noivas do Drácula e se envolve com elas. Depois, ao relatar o caso, Jonathan deixa claro que ele foi enfeitiçado... Mas será que foi realmente um feitiço ao qual ele não poderia resistir? Ou será que foi, novamente, uma sociedade que desresponsabiliza o homem quando o assunto é a sua sexualidade? Esse questionamento eu prefiro não responder, deixando a cargo do leitor a reflexão.


Além dessa questão, cabe refletir sobre a forma como Jonathan e Mina se relacionavam. Ao longo do filme, Jonathan escolhia o seu caminho e, por extensão, o da Mina - o que não era incomum para a época. Os relacionamentos se davam, muitas vezes, por formalidade. Os homens não viam a mulher como uma companheira, como um sujeito em sua singularidade; viam-na como um anexo, indispensável para a sobrevivência, mas descartável, caso não houvesse utilidade. Essa forma de se relacionar não pode, segundo a logoterapia, ser considerada "amor".

Então Bruna, Drácula e Mina se amavam?
- Drácula amava Mina - Por ela, ele enfrentou a morte, deixou de lado as suas riquezas e propriedades, abriu mão de outras regalias às quais ele poderia ter acesso e, além disso, ele a via em sua singularidade: respeitando-a e aceitando-a em sua subjetividade. 

- Mina amava Drácula -  Sim! Ela escolheu, de forma livre e responsável, se juntar ao Drácula: livre porque ela teve opções e, entre todas, escolheu uma; responsável porque ela decidiu arcar com todas as responsabilidades relacionadas - arriscando, inclusive, a própria vida, para estar ao lado dele quando ele estava morrendo.



"Nosso amor é mais forte que a morte"
(Mina)

Porque transcende o biológico. Porque transcende a mera paixão. Isso é amor.
E você, como tem amado? ;)

Referências:
- FRANKL, V. Psicoterapia para Todos: uma psicoterapia coletiva para contrapôr-se à neurose coletiva. 3. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2018.
- Filme Drácula Completo - https://www.youtube.com/watch?v=WmRtEHi7Op0 



terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Feliz 2020!

Em 2019, pude realizar diversos sentidos - entre os quais, a reativação deste blog.

Como já dito em postagens anteriores, o "A Logoterapia É Óbvia" tem a finalidade de discutir assuntos relacionados à Logoterapia e Análise Existencial, trazendo uma visão embasada sobre essa abordagem que, apesar de contemporânea à psicanálise freudiana, ainda é pouco conhecida - e, por isso, ainda cercada por mitos e preconceitos.

Agradeço a cada pessoa que dispôs do seu tempo para a leitura das postagens. Para o compartilhamento dos conteúdos. Para a multiplicação da obra maravilhosa deixada por Viktor Frankl. O legado dele é imenso e maravilhoso - e merece ser discutido com rigor e embasamento.

Para 2020, eu desejo que possamos continuar trilhando neste percurso. Que mais vidas possam ser tocadas pela Logoterapia e Análise Existencial. Que mais sentidos possam ser descobertos - e realizados. E que mais e mais pessoas possam ter acesso ao legado de Frankl - e de seus seguidores e colaboradores.

Muito obrigada por 2019. E sigamos, que ainda há um ano inteiro de novas experiências e possibilidades!!!






quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Logoterapia e Religião - e a Psicologia como pano de fundo

Primeiramente, é importante ressaltar que meu papel aqui não é o de levantar bandeiras para uma ou outra religião, mas o de esclarecer uma questão muito comum em se tratando da logoterapia: a sua relação com a religião.



Muitas pessoas me procuram para estudar a Logoterapia com o seguinte argumento: "eu gostaria de seguir pela Logoterapia porque é uma parte da psicologia que respeita a minha religião"/ "é uma abordagem cristã"/ "tem tudo a ver com o Cristianismo". Queridos e queridas, sinto informar que esta informação está completamente equivocada, e eis algumas razões: 
1. Equivocada porque a intenção da psicologia enquanto um todo não é a doutrinação. Não é provar que a ciência está acima da fé, ou vice-versa, em nenhum aspecto, em nenhuma abordagem. Mas compreender o sujeito em suas diversas nuances e auxiliar esse sujeito a fazer modificações em sua vida - de acordo com as queixas apresentadas, de acordo com o contexto, de acordo com o sujeito e sua organização bio-psico-social. Isso sim é psicologia: uma ciência que não desconsidera as subjetividades dos sujeitos.


2. Equivocada porque a Logoterapia também não tem por intenção doutrinar ou pregar ou instruir pessoas a respeito de vertentes de ordem religiosa. Essa crença é muito comum, infelizmente, em especial devido à dimensão noética - traduzida para o português como espiritual. No Brasil, o espiritual tem conotação religiosa; contudo, é importante ressaltar que para a logoterapia não (para saber mais sobre, leiam esta outra postagem http://alogoterapiaeobvia.blogspot.com/2019/04/ser-humano-tridimensional.html).
Mas Bruna, e se chegar algum religioso para atendimento? O que faremos?


Acolheremos. Porque, antes de tudo, somos psicólogos - e a escuta é fundamental para o nosso trabalho. E antes de psicólogos, somos seres humanos - e aprendemos que a empatia é fundamental nas relações humanas.

ATENÇÃO: estou falando de uma perspectiva científica, uma vez que meu lugar de fala é da psicologia. Isso não impede que outras vertentes cientificas leiam e coloquem em prática a logoterapia. Já conheci logoterapeutas filósofos, médicos, padres, professores, pastores - e cada um deles associando a sua prática à Logoterapia.   


Referências:
Livros:
- Frankl, V. E. (1985). Em busca de sentido. Petrópolis, RJ: Vozes.
- Frankl, V.E. (2011). A vontade de sentido: fundamentos e aplicações da Logoterapia. São Paulo: Paulus.

Imagens:



quarta-feira, 13 de novembro de 2019

#LogoterapiaeFilmes4: Procurando Dory e a Vontade de Sentido

"Olá! Meu nome é Dory e eu sofro de perda de memória recente"


Na primeira vez em que eu assisti ao filme "Procurando Dory", eu simplesmente não consegui conter as ligações que meu cérebro começou a fazer entre o filme e a Logoterapia - e, por isso, fiz inclusive um evento "A Logoterapia é Óbvia" apenas para discutir as questões relacionadas entre os dois assuntos!


A história relatada em “Procurando Dory” acontece exatamente um ano depois dos eventos relatados em “Procurando Nemo”. Nesse sentido, o filme é organizado em flashes – que contam a história da personagem principal (ao mesmo tempo em que esta recebe as pistas sobre seu passado). 


Dory recebeu um diagnóstico devido à sintomatologia de perda de memória recente - tanto que ela é conhecida por esquecer as informações que lhe eram passadas. O diagnóstico não é dito ao longo do filme, mas é perceptível que as pessoas que conheciam a Dory temiam pela decisão dela de procurar os pais - o que, diga-se de passagem, ela consegue! 

“O homem não é livre de suas contingências, 
mas é livre para se posicionar perante elas”.
(Viktor Frankl)

Entre várias questões observadas no filme, eu escolhi, neste texto, focar especificamente em uma: a vontade de sentido, elemento que amarra todas as histórias transversais que aparecem no filme. 
Segundo Frankl (2011, p.50), a vontade de sentido “pode ser definido como o esforço mais básico do homem na direção de encontrar e realizar sentidos e propósitos" - isto é, é a capacidade unicamente humana de encontrar e realizar apesar das contingências e dos condicionantes aos quais estamos todos submetidos. 


Como a vontade de sentido pode ser observada no filme? Bom, como já relatado anteriormente, a Dory consegue encontrar os seus pais. Apesar de toda a descrença ao seu redor, apesar das dificuldades encontradas, apesar de todas as contingências e condicionamentos, a Dory consegue encontrar seus pais - e, no caminho, ainda auxilia diversos outros personagens a reencontrarem os sentidos das suas vidas. Ou seja: haja vontade de sentido, valores atitudinais e, como consequência, valores criativos e vivenciais ;)



“O que importa, logo, não são os condicionantes psicológicos, ou os instintos por si mesmos, mas, sim, a atitude que tomamos diante deles. É a capacidade de posicionar-se dessa maneira que faz de nós seres humanos”
(Viktor Frankl)


Referências
- Frankl, V. E. (1985). Em busca de sentido. Petrópolis, RJ: Vozes.
- Frankl, V.E. (2011). A vontade de sentido: fundamentos e aplicações da Logoterapia. São Paulo: Paulus.

Imagens:





quinta-feira, 17 de outubro de 2019

#LogoterapiaeMúsica 2: Dia Especial (Tiago Iorc)

*Texto escrito por Lucas Garcia, aluno da graduação de Psicologia da Faculdade Pitágoras de São Luís/MA, e gentilmente cedido pelo próprio autor para a publicação aqui. Muito obrigada pela valiosa contribuição, Lucas :)

“Se alguém 
Já lhe deu a mão 
E não pediu mais nada em troca,
Pense bem, pois é um dia especial”.

A princípio, essa música possui uma riqueza singela pra mim. Pois ao mesmo tempo em que ela me permite refletir sobre a vivência da plenitude do amor e/ou amizade através da canção, me faz refletir sobre a escassez de “dias especiais” na contemporaneidade, que são representados através da escassez de afeto, de encontros genuínos, de generosidade, etc. Isto é o que podemos denominar de “dias sem cor”, caracterizados pelo narcisismo, hedonismo, niilismo, e diversos outros “ismos”, que se fazem presentes em nossa sociedade. Em decorrência disso o ser humano têm criado barreiras, bloqueios e mecanismos de defesa para/ao relacionar-se com o outro, isto é, quando se busca essa experiência, devido à liquidez das relações que se caracterizam pela falta de confiança, afeto, reciprocidade, etc.

“Sonhei que as pessoas eram boas
Em um mundo de amor
E acordei nesse mundo marginal.”

Martin Buber, filósofo e teólogo, desenvolveu uma filosofia baseada no diálogo/encontro genuíno, compreendendo o homem a partir das múltiplas relações concretas que o ser humano estabelece com os outros seres no mundo. A filosofia do diálogo de Buber (2010) nos fala sobre um modo de olhar o homem como sendo constituído de forma relacional, ou seja, para o pensamento dialógico, o homem só é na relação concreta com o outro no mundo e, a partir dessa relação. Para tanto, Buber (2010) fala que a nossa atitude pode ser dupla diante do outro, existindo, então, dois modos ontológicos de se relacionar com o mundo. O modo EU-TU e o modo EU-ISSO. O modo EU-ISSO é a forma de ser fática, objetiva e explicativa, é o modo que opera em uma racionalidade utilitarista, uma vez que é uma relação entre sujeito e objeto, na qual o sujeito manipula e usa o objeto. Estabelecer uma relação EU-ISSO com o outro é tomá-lo como coisa, como algo a ser manipulado, manuseado, conceituado e rotulado. 
Esse modo de relação e de encontro tem se perpetuado nas sociedades contemporâneas, muito bem representado pelo pensador e filósofo Zygmunt Bauman em suas obras literárias. Já o modo EU-TU, se caracteriza pela forma de ser facultativa, atual e presente, que emerge no fluxo da vivência imediata de um TU, portanto, de uma alteridade radical e irredutível. Isso quer dizer que na relação EU-TU não há manipulações ou explicações, mas sim a partilha gratuita e despretensiosa de sentidos, uma inter-afetação, uma experiência vivida com o outro, na qual ambos saem transformados. Para Frankl, não é diferente. Para ele, as relações são fundamentais, pois proporciona a realização de sentidos através dos valores vivenciais e atitudinais. Os valores vivenciais podem ser encontrados na vivência de uma situação ou nos encontros humanos (é importante ressaltar que aqui estamos falando dos encontros em sua forma genuína, quando há prazer e intencionalidade nas duas partes – excluindo, então, os relacionamentos abusivos, nos quais há “prazer” em uma parte e sofrimento e angústia na outra). 
Algumas pessoas associam os valores vivenciais apenas ao amor encontrado nos relacionamentos afetivos – o que é, de fato, uma forma reducionista de conceber os valores vivenciais. Eles podem estar presentes em outras situações, tais como a experiência de um momento único, a apreciação de uma paisagem, obra de arte, ou em um encontro genuíno com outro ser humano, como é descrito pela música – “mas te vejo e sinto o brilho desse olhar, que me acalma e me trás força pra encarar tudo”. Já o valor atitudinal diz respeito à atitude tomada por nós quando estamos diante do sofrimento inevitável – diante do qual não vemos possibilidade de criar algo para o mundo ou de receber dele. Viktor Frankl, em seu livro Em busca de sentido, relata que mesmo em situações de sofrimento extremo, em situações em que não parece haver esperança, diante de uma fatalidade que não pode ser mudada – ainda assim podemos encontrar sentido. Nesse caso, quando não podemos criar ou receber algo do mundo, somos então desafiados a mudar a nós mesmos: mudando a nossa postura diante da situação em questão. 
Portanto, podemos ter uma atitude diante dos “ismos” e das relações líquidas, através dos valores vivenciais. Se permitindo ter um contato pessoal com o outro, genuíno e verdadeiro, como diz a música – “mas te vejo e sinto o brilho desse olhar, que me acalma e me traz força pra encarar tudo”. 

“Mas te vejo e sinto
O brilho desse olhar
Que me acalma
E me traz força pra encarar tudo...”

Concluindo, deixo uma pergunta para reflexão: qual é a sua responsabilidade na desordem da qual você se queixa? 

Referências:
- Frankl, V.E. (2011). A vontade de sentido: fundamentos e aplicações da Logoterapia. São Paulo: Paulus.
- Buber, M. (2010) Eu e Tu. São Paulo: Centauro.

* Link do youTube para a música:
https://www.youtube.com/watch?v=IVHayTegflg&feature=youtu.be

terça-feira, 8 de outubro de 2019

Eventos ALEO

Queridos e queridas, no último dia 25 tivemos mais uma edição do "A Logoterapia É Óbvia". Nesta edição, falamos sobre a fome por sentido - já falada por Frankl, e tão presente em nossa época. 

Foto de divulgação do nosso último ALEO

No pós guerra (das duas grandes guerras mundiais), muitas pessoas ficaram em situação de extrema pobreza: sem ter o que vestir, sem ter o que comer - e nesse contexto, a fome por pão foi por muito tempo predominante. Contudo, quando esta fome foi sanada, uma outra fome apareceu: as pessoas tem buscado por algo que as motive a levantar da cama cotidianamente - apesar de todas as dificuldades e frustrações cotidianas. As pessoas tem buscado cada vez mais por sentido

Registro do ALEO: Fome por pão e fome por sentido

Com essa segunda edição do ALEO, foi possível perceber que mais pessoas estão se aproximando da teoria Logoterapia e Análise Existencial, deixando de lado os estereótipos e preconceitos e se interessando em estudar a obra relacionada. Os feedbacks tem sido maravilhosos, e isso, por si só, já é muito enriquecedor! Por isso, no mês de outubro, faremos uma edição especial ;)


Nesse mês, faremos uma edição do #Logoterapiaefilmes - e discutiremos a vontade de sentido no filme Procurando Dory. ATENÇÃO: é importante que você já tenha assistido ao filme, pois ele não será transmitido no evento ;)

Aguardo você lá!



sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Autodistanciamento e Autotranscendência

Como já vimos em postagens anteriores,  o homem não é livre de suas contingências, mas é livre para posicionar-se diante delas, independentemente das condições que lhe sejam apresentadas. Esse posicionar-se, segundo Frankl (2011), pode ser descrito enquanto autodistanciamento e autotranscendência.
O autodistanciamento (Frankl, 2011) diz respeito à capacidade humana de distanciar-se de qualquer condição, ou de si mesmo, escolhendo uma atitude, posicionando-se.  Ela pode ser encontrada nas formas de heroísmo – como nos campos de concentração, ou em outras situações extremas – e humor.

Exemplo de heroísmo - autodistanciamento


O homem também é capaz de transcender a si mesmo tanto em direção a um outro ser, no amor,  quanto  em busca de um sentido, através do órgão do sentido, a consciência (Fizzoti, 1996; Frankl, 2011). Frankl denominou esse fenômeno de autotranscendência. O amor é a capacidade de transcender a si mesmo, indo apreender o outro em sua genuína singularidade; a consciência, por sua vez, é a capacidade de transcender a si, buscando apreender o sentido em uma situação singular.

Amor e consciência - autotranscendência


Referências
Imagens:

Livros:
- Fizzotti, E. (1996). Conquista da liberdade: Proposta da Logoterapia de Viktor Frankl. São Paulo: Paulinas.
- Frankl, V.E. (2011). A vontade de sentido: fundamentos e aplicações da Logoterapia. São Paulo: Paulus.


domingo, 18 de agosto de 2019

#LogoterapiaeFilmes3: O Morro dos Ventos Uivantes, a Vontade de Sentido e a Vontade de Poder

"Out on the wiley windy moors
We'd roll and fall in green
You had a temper, like my jealousy
Too hot, too greedy
How could you leave me
When I needed to possess you?
I hated you, I loved you too"
(Wuthering Heights)

O filme O Morro dos Ventos Uivantes (1992) foi uma adaptação do livro homônimo da autora inglesa  Emily Brontë (Wuthering Heights, 1847).

(Wuthering Heights, 1847)

Houveram algumas adaptações do livro para o cinema; contudo, algumas destas acabaram omitindo diversos detalhes ou até mesmo partes do livro - e isso faz muita diferença para pessoas que, assim como eu, só assistem a determinados filmes para ver a representação visual da representação mental feita no momento da leitura :) Então, eu escolhi a versão de 1992, estrelada por Ralph Fiennes e Juliette Binoche, que se mantém fiel ao livro em muitos aspectos.

Resultado de imagem para wuthering heights juliette binoche ralph fiennes
(Imagem oficial e trailer do filme)

A história é a seguinte: O patriarca da família Earnshaw faz uma viagem e, ao retornar, traz consigo um pequeno órfão, que todos acham ser um cigano e que logo recebe o nome de Heathcliff. A relação entre o patriarca e Heathcliff deixa o filho legítimo, Hindley, com ciúmes, enquanto que Catherine, a irmã de Hindley, se afeiçoa por Heathcliff, tornando-se sua melhor amiga. 
Tudo parece correr bem, até que começam a acontecer algumas situações que acabam desestabilizando Heathcliff: primeiro, o Sr. e a Sra. Earnshaw morrem, e Hindley (herdeiro direto) sujeita Heathcliff a várias humilhações. Depois, apesar do amor entre Heathcliff e Catherine, ela decide casar-se com Edgar Linton - e tanto o livro quanto o filme dão indícios de que esse casamento se dá por questões financeiras. 

Resultado de imagem para wuthering heights juliette binoche ralph fiennes final do filme

Heathcliff parte do Morro dos Ventos Uivantes e, ao voltar, está rico, chamando a atenção de Catherine e despertando ciúmes em Edgar. Contudo, Catherine e Edgar tem uma filha, Cathy, mas Catherine morre logo depois de lhe dar à luz. Heathcliff fica destruído com a morte daquela que ele identificava como seu grande amor e decide vingar-se tanto de Edgar quanto de Hindley. 

Resultado de imagem para wuthering heights ralph fiennes final do filme
(Heathcliff: Eu amo o meu assassino, mas o seu, como eu posso?)

Primeiro, ele casa-se com Isabella, irmã de Edgar - contudo, depois de algum tempo, grávida, ela decide abandona-lo, e enquanto está longe tem um filho, o Linton. Além disso, Hindley perde todos os seus bens para Heathcliff devido ao vício do jogo e da bebida - deste modo, Hareton, filho de Hindley, consequentemente, fica sem herança.
Antes da morte de Edgar, Heathcliff casa Linton e Cathy - que descobre-se sem bens quando Linton morre. Pensando já ter se vingado, Heathcliff percebe-se de repente sozinho, morrendo triste e adoecido. Como último desejo, ele pede para ser enterrado ao lado de Catherine.

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O que era sentido para Heathcliff? Em um primeiro momento, Catherine era um sentido para ele - ele a amava e, aparentemente, era por ela correspondido. Contudo, com o afastamento de ambos, Heathcliff decidiu mudar de postura: em vez de partir em busca de sentido, ele decidiu buscar o poder, o que pode ser percebido quando ele volta rico e decide continuar tomando as posses das pessoas que, segundo ele, tiraram Catherine dele. 
A busca pelo poder, assim como a busca pelo prazer, dizem respeito a uma busca da "felicidade pela felicidade" - o que é um movimento autocentrado, uma busca direta pela felicidade. Segundo Frankl (2011), a ideia seria não buscar a felicidade pela felicidade (o que dá origem às supracitadas buscas pelo prazer e pelo poder), assim, de forma direta, mas buscar um sentido para ser feliz. No caso de Heathcliff, ele acreditou piamente que buscar a vingança o faria feliz, aliviando o sentimento de dor e tristeza pela sua história de vida e pela morte da Catherine. Como ele buscou a vingança? Assumindo um lugar de poder em relação às outras pessoas. Contudo, como visto ao longo do filme, isso não resolveu o seu problema, e levou-o à um trágico final.
"Bad dreams in the night
They tell me I was going to lose the fight
Leave behind my wuthering, wuthering
Wuthering heights"

Ele poderia ter escolhido uma postura diferente? Sim. Não podemos responsabilizar um destino biológico, ou psicológico ou sociológico - até porque ele poderia ter escolhido um posicionamento diferente. Em vez de aderir à vontade de poder, ele poderia ter ido pela via dos valores atitudinais e, a partir disso, ter buscado outros valores e sentidos para a sua vida - e, através disso, ter encontrado um motivo para ser verdadeiramente feliz.

"Too long I roam in the night
I'm coming back to his side to put it right
I'm coming home to wuthering, wuthering
Wuthering heights

Heathcliff, it's me, Cathy, I've come home
I'm so cold, let me in your window
Heathcliff, it's me, Cathy, I've come home
I'm so cold, let me in your window"



Referências:
Livros:
- Frankl, V. E. (1985). Em busca de sentido. Petrópolis, RJ: Vozes.
- Frankl, V. E. (1991). A psicoterapia na prática. Campinas, SP: Papirus.
- Frankl, V.E. (2011). A vontade de sentido: fundamentos e aplicações da Logoterapia. São Paulo: Paulus.

Imagens:

Música:
- Kate Bush. Wuthering Heights. Álbum The Kick Inside (1978).

A Visão de Homem na Logoterapia: Antropologia e Ontologia Dimensional

Inúmeras são as tentativas de classificar "o que é o homem". Cada abordagem e cada teoria possui a sua, ancorada em sua filosofia e em sua forma de apreender o ser humano. Com a psicologia não poderia se diferente - cada abordagem da psicologia possui uma visão do que é o ser humano.
Frankl, em seus estudos, percebeu que muitas das abordagens da psicologia acabavam caindo em um reducionismo, preponderante nas ciências, que sustentava-se em uma visão de homem que concebe este como “nada mais que um complexo mecanismo bioquímico, alimentado por um sistema de combustão que leva energia a computadores com prodigiosos recursos de armazenamento de informação codificada” (Frankl, 2011). Frankl chamava a isto de reducionismo porque há a redução do homem a uma única dimensão sua - seja a biológica, seja a psicológica, ou muitas vezes a sua condição sociológica. 
Resultado de imagem para ser humano
(Seres humanos em sua constituição bio-psico-sócio-noológica)

Deste modo, em uma tentativa de também se contrapor ao reducionismo, Frankl expôs sua visão de homem a partir do que chamou de antropologia e ontologia dimensional, que leva em consideração as diferenças ontológicas e, principalmente, a unidade antropológica das referidas dimensões, e se funda em duas leis, que serão descritas a seguir:

1. Primeira Lei:
“Quando um mesmo fenômeno é projetado de sua dimensão particular em dimensões diferentes, mais baixas do que a sua própria, as figuras que aparecerão em cada plano serão contraditórias entre si” (Frankl, 2011). Um cilindro tridimensional, projetado para os planos bidimensionais na horizontal e vertical, resulta em um círculo – no primeiro plano – e em um retângulo – no segundo plano. Essas figuras parecem díspares se consideradas isoladamente; mas deixam de ser contraditórias quando percebemos o objeto em si, ou seja, o cilindro.

2. Segunda Lei:
“Quando diferentes fenômenos são projetados de suas dimensões particulares em uma dimensão diferente, mais baixa do que a sua própria, as figuras que aparecerão em cada plano serão ambíguas” (Frankl, 2011). Tem-se um cilindro, um cone e uma esfera (Figura 2); olhando apenas as circunferências, não restam dúvidas de que se tratam de três circunferências idênticas; as projeções não permitem que se perceba o que realmente há sobre as projeções, ou seja, o cilindro, o cone e a esfera.

(Primeira e segunda leis, respectivamente)

O que Frankl quis demonstrar com essas analogias - e, o mais importante, o que podemos aprender com elas? Que enquanto o ser humano for observado através das suas projeções físicas e psicológicas, a unidade do ser será perdida. Estaremos sempre atentando a um ponto, e esquecendo da unidade bio-psico-noológica. É importante ver o homem em sua totalidade, em sua unidade e, principalmente, em sua singularidade.

Referências:
Livros:
- - Frankl, V. E. (2011). A vontade de sentido: fundamentos e aplicações da Logoterapia. São Paulo: Paulus. 

Imagens:
- Não tenho referência da segunda imagem. Quem tiver, por favor, me repasse :)




Evento "A Logoterapia É Óbvia"

Queridos e queridas, venho com muita felicidade anunciar o primeiro evento "A Logoterapia é Óbvia"!
Este, com o tema "O que é a Logoterapia e Análise Existencial?", visa tratar sobre os os conceitos principais da Logoterapia - além, é claro, de tirar as dúvidas dos participantes sobre o tema.


Teremos um evento "A Logoterapia é Óbvia" por mês, para discutir temas a partir da Logoterapia.
E aí, qual tema você gostaria que fosse discutido? Deixe nos comentários :)

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Tríade Trágica Negativa e a Frustração da Vontade de Sentido

Em outra postagem, falamos sobre a tríade trágica positiva (aqui http://alogoterapiaeobvia.blogspot.com/2019/08/triade-tragica-positiva-e-otimismo.html) . Hoje conversaremos sobre a tríade trágica negativa.

Mas por que uma face positiva e uma negativa? 
A Tríade Trágica Positiva abre a possibilidade para o otimismo trágico, para a reafirmação do sentido da vida apesar do sofrimento, da culpa e da morte. Há a reafirmação do sentido da vida e do valor atitudinal.
A Tríade Trágica Negativa, por sua vez, é originada a partir da falta de sentido. As pessoas que se sentem frustradas em sua vontade de sentido tendem a um movimento centrífugo - de fuga de si mesmas, afastando-se do seu vazio interior. 
Esta tríade é formada pela adicção, depressão e agressão. 
1. Na adicção, a pessoa usa substâncias psicoativas e usualmente fica "fora da realidade" - o que Frankl (2012) chamava de "suicídio crônico", uma vez que a pessoa fica longe de si por longos períodos de tempo - submersa nas substâncias utilizadas. 
2. A depressão, que em muitos casos pode levar ao suicídio/ tentativas de suicídio. No entanto, é importante ressaltar que nem sempre a depressão é ocasionada por questões relacionadas à falta de sentido: há questões relacionadas à dimensão psicofísica também! ;)
3. A agressão, por sua vez, diz respeito à violência contra o outro - e contra si mesmo também. Nesse último caso, falamos em automutilação, um fenômeno cada vez mais comum em nossa atualidade.

Resultado de imagem para depressão, adição e agressão

Segundo Frankl (2012), muito mais importante do que perguntar o porquê de alguém usar drogas, ou tentar o suicídio, ou se utilizar de violência, é perguntar o quê mantém a pessoa longe dessa tríade. Isso, sim, precisa ser o nosso foco de atenção e de esforço, pois pode nos trazer indícios do que é sentido para aquela pessoa :)

Fonte:

Livro:
- Frankl, V. E. (2012). Logoterapia e Análise Existencial: textos de seis décadas. Rio de Janeiro: Forense Universitária.